quarta-feira, 15 de julho de 2015

A Década dos Psicopatas | Daniel Oliveira


Daniel Oliveira, Sara F. Costa
Em O Bom, o mau e o Vilão, a 14 de Maio de 2015

    A Década dos Psicopatas é o primeiro livro de Daniel Oliveira, uma seleção dos melhores textos que escreveu nos últimos dez anos para o jornal Expresso. É a obra ideal para conhecer todo o pensamento do Daniel. Como dizia Ana Drago na apresentação é um livro que faz “os retratos da nossa democracia, dos seus poderes reais, dos seus principais protagonistas e das suas promessas incumpridas” e que “A Década dos Psicopatas” levanta “profundas inquietações”, nomeadamente a “sensação de 10 anos vividos em crise permanente” e “a perceção de que vivemos a última década discutindo a insustentabilidade do regime”.

     Ler e reler as crónicas do Daniel faz-me reviver alguns dos momentos mais marcantes da vida política nacional nos últimos dez anos. Faz-me também reviver alguns eventos marcantes da política internacional, sobretudo nos últimos tempos, quando pensar a Europa entrou na ordem do dia.

   É impossível concordar 100% com alguém, mas é possível ter uma proximidade tremenda ao pensamento de alguém. É o que me acontece ao ler o DO.

    A sublime prosa com que se expressa, sempre com uma extrema racionalidade aliada a uma profunda inteligência emocional lembram que isto de ter sensibilidade é uma coisa que dá imenso jeito ao pensamento político - dá-lhe consistência. A construção do corpus científico do pensamento político nunca pode ser exclusivamente positivista mas pode ser sempre reflexiva. Não significa que o método de registo não passe pelo empirismo dentro daquilo que são as bases de uma abordagem científica dos factos sociais mas esta reflexão nunca pode ser, como denuncia Pierre Bordieu, uma visão nomotética. Toda a avaliação se prende com uma indeterminação parcial do social, resultado do exercício do livre arbítrio dos indivíduos.

A dominação e o poder devem ser colocados em causa permanentemente. Precisamos de indivíduos com destaque mediático que denunciem e anunciem os eventos de uma sociedade e que a tornam mais democrática, participativa e consciente.

A democracia revela uma mecânica que se alimenta de si própria, quanto mais a igualdade progride, mais a mínima desigualdade é insuportável e surgem as exigências da sua erradicação. Se esta liberdade é obcecada consigo mesma é porque esta é a única forma de a manter. Simultaneamente, somos confrontados com o facto de que o individualismo é também um filho do sistema democrático. Devemos aceitar que o cidadão individualista se desligue da vida pública para melhor se proteger na esfera privada? É este o indivíduo que persiste vivendo alheado das virtudes cívicas, sobretudo quando se insere num período histórico em que não faz parte daqueles que conquistaram tais virtudes? Não se pode desistir de um sistema que não se ajuda a manter. A manutenção da verdadeira participação cívica e da intervenção política têm que ser exercitadas através da informação. É isto que as crónicas do Daniel Oliveira fazem. Estas são as crónicas que sempre me ajudaram a alicerçar a minha reflexão política mas, mais importante, sempre me senti representada por estas crónicas e não encontro mais ninguém no panorama mediático e jornalístico português que o faça, que me represente.
   
   O Daniel faz parte da organização do Congresso Democrático das Alternativas às Eleições Legislativas de 2015 LIVRE/TEMPO DE AVANÇAR. Só lamento que não tenha sido candidato, certamente teria sido eleito cabeça de lista. Como alguém que vê no Daniel Oliveira um pensamento político alternativo de uma esquerda assertiva e de verdadeira "social democracia" e "bem-estar social" só tenho pena que ele não seja candidato.

"Porque contra factos há imensos argumentos, não sou um mero observador. Escrevo para mudar a realidade. Sem ser mensageiro de opiniões alheias, estou comprometido com uma tradição política e com os que tradicionalmente têm menos poder social. Aqueles que têm menos presença no espaço mediático. Porque sou jornalista e respeito quem me lê, recuso a falta de rigor. Mesmo que ela sirva uma boa causa. A minha fraqueza? Prefiro uma má heresia a uma banalidade caridosa." Daniel Oliveira 

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