sábado, 24 de setembro de 2022

 

Lançamento do livro “Ser-Rio, Deus-Corpo" de Sara F. Costa  

 Sábado, 12 de novembro, 16h 

 

A Editora Labirinto, a autora Sara F. Costa e o Espaço de Intervenção Cultural Maus Hábitos convidam todas e todos a participar no evento do lançamento do novo livro de Sara F. Costa, “Ser-Rio, Deus-Corpo". A apresentação do livro está a cargo de Emanuel Madalena. A sessão contará com leituras de Francisca Camelo, Luiza Nilo Nunes, Luís Aguiar e Tiago Moita. Na sequência da apresentação do livro instigar-se-á o debate “artistas em puerpério” com a presença de Constança Araújo Amador e Grabriela do Amaral.  

 

Ser-Rio Deus-Corpo é o sexto livro de poesia original de Sara F. Costa. A poesia da autora de trinta e cinco anos é já um fenómeno que trespassa fronteiras. Os seus textos têm vindo a ser publicados e traduzidos um pouco por todo o mundo, tendo a autora sido convidada para participar em festivais literários em países como Espanha, Polónia, Turquia, Índia e China. O seu livro “A Transfiguração da Fome” obteve o Prémio Literário Internacional Glória de Sant’Anna para melhor obra de poesia publicada em países de língua portuguesa em 2018. Sara F. Costa, fluente em mandarim, publicou uma antologia de poesia chinesa contemporânea por si organizada e traduzida, fruto do contacto com os meandros literários e artísticos de Pequim, onde viveu até 2020.  

Em 2021 foi-lhe atribuída uma das competitivas bolsas de criação literária financiadas pela DGLAB (Direção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas) do Ministério da Cultura Portuguesa. Fruto desse trabalho surge a obra que se apresenta“Ser-Rio, Deus-Corpo", editada pela Editora Labirinto de Fafe que se consolida, há mais de vinte anos, como uma casa de referência na afirmação de novos valores literários da contemporaneidade portuguesa.   

  

As mães que não sabem pegar num carro e parir contra os sonhos. Objetos de vindima, crisântemos imediatos. A arte de se ser puro até se ser paisagem. Uma primavera imóvel ao ritmo das ondas. Então, lá vão elas iniciar uma nova jornada. Vão até às esquinas dos silêncios parir sozinhas. Lá estão elas, incansáveis, infinitas, absolutas, sem autorização para pausas.   

Sara F. Costa em Registo Civil (Ser-Rio, Deus-Corpo, Labirinto, 2022) 

  

Em “Ser-Rio, Deus-Corpo" a autora incorpora vários registos poéticos de tradição simbolista, surrealista, imagista e objetivista interpretando a psique e a índole humana a partir do corpóreo.   

Na carta que preparou para a candidatura à bolsa de criação literária, a autora apresentou assim o projeto:  

  

“O presente projeto de escrita poética apresenta-se como uma ode à fertilidade. Como as celebrações do Beltane na cultura celta, Ostara na cultura nórdica ou as celebrações do festival Kanamara, segundo a tradição xintoísta japonesa, sendo simétrico a este último, uma vez que é um trabalho sobre a criação intrauterina, do ponto de vista estritamente matriarcal.    

Os temas que se relacionam com a maternidade começam a surgir nos movimentos literários ocidentais a partir da década de setenta do século passado, quando surge a segunda onda do movimento feminista. Pretendia-se combater as prenoções que sentenciavam certos tópicos como inapropriados enquanto motivos literários.   

A maternidade tardou a ser vista como possibilidade de exposição poética, não apenas devido às justificações do contexto inerente a sociedades patriarcais, mas também porque se situava na esfera privada segundo a conceção filosófica grega de Platão – dicotomia Oikos/Polis - ou, como colocou séculos depois Hannah Arendt, “a distinção entre uma esfera de vida privada e uma esfera de vida pública corresponde à existência das esferas da família e da política como entidades diferentes e separadas.” (ARENDT, 2007, p. 37).  

A necessidade de compreender o significado da existência de uma poesia escrita especificamente por mulheres resultou do facto de outras formas de crítica terem assumido quase automaticamente que o poeta é um homem e, por isso, estabelecido como universais os conceitos de vocação poética, tradição e forma que implicam tacitamente normas masculinas.  

Na era vitoriana, a poesia escrita sobre “as mães” ganhou uma certa popularidade, não deixando, no entanto, de retratar um ideal de mãe como uma personagem unidimensional, uma mártir e uma “protetora da casa”. Aquilo a que Gertrude Stein chamou “patriarchal poetry” funcionava como um sistema que silenciava as mulheres e as excluía do cânone modernista.  

Sobre o papel da literatura na segunda onda do feminismo, a poetisa Sharon Olds recorda a resposta de um editor na década de 1970, quando ela apresenta poesia sobre maternidade: “The editor would say, if you wish to write about your children may we suggest the Ladies Home Journal. We are a literary magazine.”3  

Felizmente, as últimas décadas incorporaram uma emancipação de expressão que permitiu às mulheres escreverem sobre a gravidez, o nascimento e a maternidade de uma forma livre, permitindo-lhes explorar através deste tema todos os aspetos da criação literária.   

A história da poesia contemporânea em Portugal é a prova da importância da figura da mãe e dos seus filhos e filhas enquanto motivos literários. Autores como Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, Fernando Namora, António Osório, Antero de Quental, Carlos Drummond de Andrade, Valter Hugo Mãe ou António Nobre são alguns exemplos de poetas que escreveram sobre as mães e a maternidade. A procura da génese e do sentido existencial é feito a partir das reflexões sobre o nascimento e sobre as mães na poesia de Daniel Faria e Herberto Helder. A mulher e a sua gravidez devem, no entanto, ter palco na primeira mão.  

A mãe-poeta não é uma personagem muito presente, a mãe é mais representada por autores masculinos do que femininos.  É o objetivo deste presente trabalho trazer a representação da mãe que não precisa de ser representada porque o é. A poeta que é universal, mas é mulher.   

O presente projeto foca-se, assim, na experiência intimista de uma mãe durante o período de gestação do feto, incorporando, por vezes, elementos da tradição modernista como a objetividade, intelectualidade, abstração e distanciamento necessários para transformar a experiência em arte. Contudo, nunca abandonando um registo privado, quase doméstico, em que a voz poética procura transcender a casa-corpo.”   

Sara F. Costa  

quarta-feira, 25 de março de 2020

Poética Não Oficial, Poesia Contemporânea Chinesa", Seleção e Tradução de Sara F. Costa

A arte, enquanto alma de um país, tem o potencial de nos fornecer outro entendimento sobre um determinado povo.  
Neste livro, traduzi para português uma amostra de 33 poetas da cena literária “underground” ou “subterrânea”, isto é, não ortodoxa ou institucional (非官方诗坛) que considero de maior relevância para compreender o panorama literário da China pós-Revolução Cultural. 

Foi um longo trabalho de pesquisa e um grande desafio de tradução que me dá muito gosto em partilhar através da chancela da Labirinto. Este foi também um projeto que nasceu de um repto lançado pelo incansável editor João Artur Pinto, um verdadeiro entusiasta da independência editorial. 

Estará brevemente disponível na página da Editora Labirinto como parte integrante da Colecção Contramaré coordenada pelo Victor Oliveira Mateus 

A capa é do Daniel Gonçalves

"非官方诗坛 | Poética Não Oficial,  Poesia Contemporânea Chinesa",  Seleção e Tradução de Sara F. Costa
Fafe, Portugal: Editora Labirinto, 2020.




segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Call For Submissions / Call for Poets




You try to get around in a city with more than 20 million inhabitants. The memories of dry winters and humid summers mix with the smells of stinky tofu and sweet durian in your nostrils. When you ride down the street in your orange shared bike, trying not to bump into the Mercedes blocking the hutong or the old man with the recyclable waste coming down the wrong side of the street, you don't fully understand the Didi driver when he calls you, but you know when he's upset. You don't know how to pay for stuff when there's no internet and you have a favorite boba and a favorite place to get drunk in Gulou or Sanlitun. When you're outside the country, you wonder why can't they deliver some barbeque at 2am in 30 minutes.

Once you woke up to the sounds of funerary gongs, saw the fires laid at some of the intersections of the city and felt a kind of melancholy. A feeling comparable to the feeling of displacement and insignificance conjured by the sight of the mega buildings drowning in fog, or the city's neon lights shining in the night.

You! We want you to send us your work!

“Urban fragments” is looking for your poetic input regarding your experiences in the Jing! Send us your best piece and enter a post-modern cyberpunk experience of the power of words in the digital era.  Poetry and short fiction accepted!  

Selected writers will participate in a Digital Art: Sound & Visuals piece and an E-Zine created by the Spittoon Arts Collective. 


Send your work to: 
sarafcosta@spittooncollective.com

Deadline: 
October 20th 2019

About Spittoon:
www.spittooncollective.com

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Apresentação em Braga "A Transfiguração da Fome" de Sara F. Costa


25 de julho
18h30
Livraria Centésima Página

O livro vencedor do Prémio Internacional Glória de Sant'Anna para melhor livro de poesia publicado em países de língua portuguesa em 2018, “A Transfiguração da Fome" publicado pela Editora Labirinto será apresentado pela primeira vez em Braga na Livraria Centésima Página dia 25 de julho pelas 18h30. A apresentação do livro estará a cargo da Prof.ª Dra. Isabel Cristina Mateus.
Leitura de poemas pelo poeta Luís Aguiar.

"A Transfiguração da Fome, de Sara F. Costa, é uma longa narrativa sobre nós: tu, eu e o mundo. Essa história pode ser lida em várias direções, sem necessidade de início ou de fim: há fins antes de certos inícios, há fins depois de outros fins. Em qualquer dos casos, esse será um caminho de referências concretas, papéis no chão levados pelo vento, e metáforas, horizonte. Sara F. Costa prepara-nos uma cartografia exata, não apenas no rigor com que organiza a linguagem, mas também na delicadeza do silêncio: entre palavras, entre versos, entre o título e o início do poema." Jose Luis Peixoto, escritor.

"Eis o maior mérito do livro, o de nos desconcertar, através de imagens impactantes, esteticamente cuidadas (“Porque é que a pele seca dos transeuntes vem esfoliar no meu peito?”, “a harpa do pensamento é uma planta que morreu de overdose de delírio”), ou através de procedimentos gramaticais, como o de contornar voluntariamente a palavra amor (...) A transfiguração da fome é, acho eu, uma homenagem à palavra certa, essa que procuramos apenas para evocar o tu após termos derrubado todos os impérios." Teresa Moure, júri do Prémio Literário Glória de Sant'Anna.

"Não é nada fácil navegar por este turbilhão de teres, seres e sentires que a poeta labora neste extenso poema. Um poema de muitos poemas. Amores e desamores. Uma viagem de muitas viagens vertiginosas que fluem numa crescente desconstrução procurando um equilíbrio que irá desaguar na ruptura." Fernando Sales Lopes, poeta.





Sara F. Costa é licenciada em Estudos Orientais e Mestre em Estudos Interculturais: Português/Chinês pela Universidade do Minho em parceria com a Universidade de Línguas Estrangeiras de Tianjin, China. Tem recebido vários Prémios Literários nacionais na área da poesia. Foi autora convidada do Festival Internacional de Poesia e Literatura de Istambul 2017. Em 2018, fez parte da organização do Festival Literário de Macau e do Festival Internacional de Literatura entre a China e a União Europeia em Shanghai e Suzhou. Tem poemas traduzidos em várias línguas e trabalhos publicados em Revistas Literárias um pouco por todo o mundo, desde o Brasil à China. Atualmente reside em Pequim e é coordenadora da comunidade de escrita criativa de Pequim, Spittoon Arts Collective.









Isabel Cristina Mateus é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade de Coimbra e Doutorada em Ciências da Literatura, Área de Especialização de Literatura Portuguesa (Moderna e Contemporânea) pela Universidade do Minho. Exerce atualmente as funções de Professora Auxiliar no Instituto de Letras e Ciências Humanas e de investigadora do Centro de Estudos Humanísticos (CEHUM). A sua área de investigação centra-se na Literatura Portuguesa dos séculos XIX (com especial destaque para Fialho de Almeida e Raul Brandão) e séculos XX a XXI.
É coordenadora da edição da obra completa de Maria Ondina Braga pela INCM (com Cândido Oliveira Martins (UCP), exercendo igualmente funções de dinamizadora do Espaço Maria Ondina Braga/Museu Nogueira da Silva.
É membro da Direcção da Associação Portuguesa de Escritores.
Tem colaborado em diversas revistas de especialidade nacionais e estrangeiras e é autora de vários estudos sobre autores da literatura portuguesa moderna e contemporânea, com destaque para o ensaio “Kodakização” e Despolarização do Real: Para uma Poética do Grotesco na Obra de Fialho de Almeida, Leya/Caminho 2008.






Luís Aguiar é licenciado em «Técnico Superior de Secretariado - Ramo de Assessoria de Direcção» pela ESTGA-UA e Mestre em «Línguas e Relações Empresariais» pela Universidade de Aveiro. Estudou, também, música clássica no Conservatório de Música Clássica Calouste Gulbenkian de Aveiro e fotografia analógica no Centro de Artes de São João da Madeira.
Foi colaborador assíduo do Diário de Notícias (DN Jovem) entre 2001 e 2007. Tem dezenas de poemas dispersos por jornais, revistas e antologias literárias.
Foi coautor na construção do maior poema contemporâneo, O Fulgor da Língua - O Estado do Mundo, promovido pela capital da cultura - Coimbra (2003).
Foi galardoado em vários prémios literários, alguns dos quais resultaram na publicação da obra. Em Março de 2017 foi distinguido com o Prémio de Poesia Judith Teixeira com a obra literária O muro onde a sombra persiste e em Setembro de 2016 foi premiado no XVIII Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage (2016) com o trabalho poético Quantas madrugadas precisamos para fermentar um pão?.