Houve livros que desapareceram depressa.
Edições esgotadas. Exemplares perdidos. Pessoas a perguntar onde encontrar poemas que já não circulavam.
A Cidade Dentro do Corpo nasce dessa reunião.
Uma antologia autoral que atravessa diferentes livros, cidades, versões de mim e da linguagem.
Entre o corpo íntimo e a cidade elétrica. Entre Herberto, Pessanha, ruína, desejo e sobrevivência.
Alguns livros acabam. Outros regressam transformados.
Lançamento a 29 de maio na Teatroesfera, Sintra.
Para encomendas: enviem-me mensagem!
A Cidade Dentro do Corpo: Antologia Autoral Paperback – 9 May 2026
Portuguese edition by Sara F. Costa (Author)
A Cidade Dentro do Corpo – Antologia Autoral
Reunir poemas escritos ao longo de mais de duas décadas implica um gesto paradoxal. Por um lado, trata-se de fixar um percurso que, no momento da escrita, nunca se apresentou como tal. Por outro, essa reunião permite observar, com alguma distância, as recorrências, as obsessões e as metamorfoses que atravessaram esse percurso. Um livro como este é também um território onde diferentes momentos da vida passam a coexistir no mesmo espaço textual.
Os poemas que integram este volume pertencem a diferentes fases da minha vida e foram escritos em lugares e contextos diversos. Alguns nasceram em cidades portuguesas, outros surgiram durante períodos prolongados vividos na China, entre Tianjin, Pequim, Macau, num tempo em que a experiência da deslocação geográfica ampliou também o horizonte simbólico da escrita. Ao reler estes livros hoje, percebo com maior clareza como certas imagens regressam continuamente, transformadas pela experiência acumulada, mas ainda ligadas ao mesmo impulso inicial de compreender o mundo através da linguagem.
Entre essas imagens recorrentes encontram-se o corpo, a cidade e o movimento. O corpo surge frequentemente como um território sensível onde se inscrevem tanto as experiências íntimas como as forças sociais e históricas que atravessam a vida contemporânea. A cidade apresenta-se como uma extensão desse mesmo corpo, um organismo complexo onde convivem desejo, memória, conflito e transformação. As ruas, os edifícios, os encontros fortuitos e os gestos quotidianos tornam-se matéria poética porque colaboram para a construção da identidade e da consciência do sujeito.
A imagem que dá título a este volume nasceu precisamente dessa intuição. A cidade não existe apenas como realidade exterior, ela infiltra-se nos músculos da linguagem, acumula-se nas memórias, instala-se nas formas de perceção do mundo. Cada experiência urbana deixa uma marca interior que regressa depois na escrita sob a forma de imagem, ritmo ou pensamento. A cidade passa a existir dentro do corpo que a atravessou.
Ao longo destes livros a linguagem foi-se transformando, acompanhando as mudanças inevitáveis da experiência pessoal e intelectual. Alguns poemas revelam a urgência da juventude e a necessidade de afirmar uma voz própria. Outros surgem marcados por um tempo mais reflexivo, onde a escrita se aproxima de uma forma de investigação sobre o sentido da vida, da memória e das relações humanas. Apesar dessas diferenças, existe uma continuidade profunda que se manifesta na tentativa persistente de pensar a realidade através da intensidade da imagem poética.
Reunidos agora neste volume, estes textos deixam de pertencer apenas ao momento em que foram escritos. Passam a formar um espaço de diálogo entre diferentes tempos da vida e diferentes estados da escrita. A leitura contínua permite reconhecer ecos inesperados entre poemas distantes no tempo.
Talvez seja essa a experiência mais reveladora proporcionada por esta reunião. O percurso literário deixa de aparecer como uma sequência linear de livros e passa a ser percebido como um território em permanente transformação. Dentro destas cidades incorporadas na linguagem, a poesia continua a desenvolver a sua capacidade de revelar as estruturas invisíveis que organizam a experiência humana e de oferecer novas formas de compreender a relação entre o sujeito, o corpo e o mundo.
Reunir poemas escritos ao longo de mais de duas décadas implica um gesto paradoxal. Por um lado, trata-se de fixar um percurso que, no momento da escrita, nunca se apresentou como tal. Por outro, essa reunião permite observar, com alguma distância, as recorrências, as obsessões e as metamorfoses que atravessaram esse percurso. Um livro como este é também um território onde diferentes momentos da vida passam a coexistir no mesmo espaço textual.
Os poemas que integram este volume pertencem a diferentes fases da minha vida e foram escritos em lugares e contextos diversos. Alguns nasceram em cidades portuguesas, outros surgiram durante períodos prolongados vividos na China, entre Tianjin, Pequim, Macau, num tempo em que a experiência da deslocação geográfica ampliou também o horizonte simbólico da escrita. Ao reler estes livros hoje, percebo com maior clareza como certas imagens regressam continuamente, transformadas pela experiência acumulada, mas ainda ligadas ao mesmo impulso inicial de compreender o mundo através da linguagem.
Entre essas imagens recorrentes encontram-se o corpo, a cidade e o movimento. O corpo surge frequentemente como um território sensível onde se inscrevem tanto as experiências íntimas como as forças sociais e históricas que atravessam a vida contemporânea. A cidade apresenta-se como uma extensão desse mesmo corpo, um organismo complexo onde convivem desejo, memória, conflito e transformação. As ruas, os edifícios, os encontros fortuitos e os gestos quotidianos tornam-se matéria poética porque colaboram para a construção da identidade e da consciência do sujeito.
A imagem que dá título a este volume nasceu precisamente dessa intuição. A cidade não existe apenas como realidade exterior, ela infiltra-se nos músculos da linguagem, acumula-se nas memórias, instala-se nas formas de perceção do mundo. Cada experiência urbana deixa uma marca interior que regressa depois na escrita sob a forma de imagem, ritmo ou pensamento. A cidade passa a existir dentro do corpo que a atravessou.
Ao longo destes livros a linguagem foi-se transformando, acompanhando as mudanças inevitáveis da experiência pessoal e intelectual. Alguns poemas revelam a urgência da juventude e a necessidade de afirmar uma voz própria. Outros surgem marcados por um tempo mais reflexivo, onde a escrita se aproxima de uma forma de investigação sobre o sentido da vida, da memória e das relações humanas. Apesar dessas diferenças, existe uma continuidade profunda que se manifesta na tentativa persistente de pensar a realidade através da intensidade da imagem poética.
Reunidos agora neste volume, estes textos deixam de pertencer apenas ao momento em que foram escritos. Passam a formar um espaço de diálogo entre diferentes tempos da vida e diferentes estados da escrita. A leitura contínua permite reconhecer ecos inesperados entre poemas distantes no tempo.
Talvez seja essa a experiência mais reveladora proporcionada por esta reunião. O percurso literário deixa de aparecer como uma sequência linear de livros e passa a ser percebido como um território em permanente transformação. Dentro destas cidades incorporadas na linguagem, a poesia continua a desenvolver a sua capacidade de revelar as estruturas invisíveis que organizam a experiência humana e de oferecer novas formas de compreender a relação entre o sujeito, o corpo e o mundo.

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